1 de mar de 2014

Você era a poesia em mim

Divago no  tempo, sou uma borboleta.
Cantei meu ensejo quando o dia caiu no horizonte.
Estava escrito em sua nervura.
Eu vi...
O breu abrir espumas em seus olhos,
as palavras mais duras são ditas por quem mais amamos.
No silêncio encontrei um esconderijo.
O choro frio abrigou-se na noite e adormeceu.
Não havia emoção, só um ruído que feneceu.

Havia um baú semi despido na sala.
Foi o que restou, refugo de um romance pretérito.
De toda a magia que nasceu apenas o vácuo sobrou.
Eu lembro...
Eras tu meu poema contínuo, quase perpétuo.
Mas tuas severas palavras levaram meu apego.
Não quero ouvir sua voz, suma.
Toda a poesia que havia em mim sobre ti acabou.

Percebi tarde demais que era o fim.
A última vez a gente nunca deixa virar lodo.
Mas virou.
Eras tu a poesia em mim, era.
Passou.

Um comentário:

Gabriel disse...

"Foi o que restou, refugo de um romance pretérito."

Adorei essa frase, um romance pretérito que passou. Poema de palavras simples mas que dizem muito, gostei.

Primeira vez que venho aqui e gostei, voltarei mais vezes.