30 de mar de 2014

De você estive ausente na primavera

Estive sozinha no deserto.
Por pouco tempo meus pés perambularam pelas cálidas areias do Egito.
Estive distante de tudo.
Meus olhos testemunharam a luz diminuta do sol que selava o fim de uma era.
Era para ser um sonho ruim que logo seria um vapor entre as miragens de minha vida.
Mas em meio ao caos, eu vi bem longe que não havia um lugar para descansar meu rosto.
Nenhum beduíno para me oferecer água, nenhuma nuvem para cobrir meu desalento.
De você estive ausente na primavera, as flores já beijaram o Nilo e eu ainda esperei que o seu barco no fim da estação.
Era janeiro, estamos em março.
O vento turvo eriçou um medo suave em meu ser.
Eu estava solitária, apenas meus olhos e milhas de areia a confundir tudo.
O deserto é um lugar de regeneração.
Encontrei uma desconhecida, uma miragem de mim.
Parecia tanto comigo, mas era apenas um sonho.
Como pude acreditar que o amor era verdadeiro.
Um oásis escasso de recordação.
O meu sempre esteve transbordando, o seu feneceu na primavera.
Você esteve ausente todo esse tempo,
agora que eu estou no meio do nada, me deparei com o sentido de estar só.
É porque sempre vamos estar assim, sempre.
Talvez seja uma dor incorrigível, mas que a verdade seja mais que um momento febril...
Sempre estaremos no deserto, nunca saímos dele.
E quando imaginamos ter encontrado a civilização, já não faz nenhum sentido voltar a viver entre estranhos.
A solidão nos ensina a amar o que temos, e nunca demos o real valor.
Mas se nunca amamos, é porque isso nunca nos foi dado.
O amor é como uma flor minúscula no deserto.
Cresce quando ninguém mais acredita em impossibilidades.
E fenece logo depois que nos damos conta que o improvável pode acontecer.
De você estou ausente na primavera...

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