23 de mar de 2013

antiquário.

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O que sobrou mofou no último inverno.
A casa jazia solitária cercada por um belo jardim oriental.
Restou apenas a velha mobília colonial da época do Império.
Alguns livros empoeirados na estante e um antiga poltrona com desenhos angelicais.
Restou um vaso sem água com uma flor de mentira dentro.
Um baú triste no canto do quarto e uma penteadeira monocromática.
Nada estava em seu lugar concreto. 
Tudo disperso na imensidão esquecida de um casarão inabitado.
A pintura pitoresca na parede da sala afugentava o breu que se escondia nas almofadas azulinas.
Molduras vazias nas paredes, nenhum rosto para trazer o passado que morreu.
Só o cheiro de pretérito nos degraus da escada.
Memórias que se dissolveram junto com a cor verde das cortinas da cozinha.
Apenas pó sob a mobília.
Cinzas pela casa que um dia foi habitada por pessoas como nós, só que com outros tecidos.

3 comentários:

Scarlat Assunção disse...

Suas palavras se encaixam de uyma forma sublime!
Que lugar lindo que está aqui. Adorei essa nova carinha do teu blog, esse cabeçalho cheio de sorrisos largos, essas flores e borboletas. É como passar por um jardim de encantos e versos floridos ♥

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Você adorna o ambiente com tanta suavidade que torna tudo com bastante beleza. Tammy, tu percorres as nuances do mundo de maneira praticamente teatral. Adorna as sensações e os momentos com o tecido do amor.

Teus textos são enfeites de amor.


:)

ps: postei um conto no meu blog. Bem doloroso... Se quiser ler, passa lá.

Rita Cardoso disse...

Lindo! Já tinha saudades de vir cá. Vejo que continuas a escrever com a mesma delicadeza que me encanta!
Beijinhos