17 de ago de 2013

AMOR?


Acreditei por muito tempo que o amor viria para solucionar todos os meus problemas e frustrações. Que após sua chegada eu poderia deitar no sofá aliviada tendo a certeza que a partir daquele momento a felicidade era a única coisa que me restava de concreto. Puro engano. Por tanto tempo preservei em meu íntimo o sonho de que quando encontrasse a pessoa ideal todas as dúvidas se acabariam, todos os motivos para ficar triste se findariam. Engano nutrido por longos anos, desde tenra idade germinei em meu coração que em um belo dia de sol bruxuleante encontraria um rapaz de olhos engraçados e tez pálida, este seria o meu salvador. Aquele que amaria cada detalhe do meu corpo e sem hesitação me tiraria para dançar enquanto os vagalumes acendiam suas tochas singelas iluminando a noite. Mas após tanta espera resolvi seguir outra direção. Para meu desalento acreditei que um dia um lindo príncipe encantado viria me buscar e me levaria para seu reino, porém nessa vasta terra sombria descobri que esse jovem jamais viria ao meu encontro, pois ele nunca existiu. Realinhei os pensamentos e logo me veio à mente todos os tormentos amorosos que circularam minha vida. Cada rapaz com suas incongruências, com suas imperfeições que me atormentavam e logo me faziam fugir para bem longe deles. Meu refúgio era o sonho, e no jardim da fantasia alimentava a utopia de encontrar o ser perfeito, idealizado. Frustração bateu em minha porta logo cedo, nem sabia que amar poderia doer tanto quanto o meu joelho ralado no dia que caí da bicicleta. Tinha uns oito anos quando me apaixonei pelo meu suposto melhor amigo, e foi um desastre teatral. Quando criança eu costumava fingir odiar os meninos que gostava, mas no fundo eu os adorava. Era engraçado, mas o fim era trágico como qualquer romance infantilizado. E a puberdade abriu caminho mas não tratou de enterrar os devaneios infantis que resolveram grudar em mim. Todos os dias acreditando que encontraria esse alguém, cada episódio recortado do cotidiano poderia ser o convite perfeito para esbarrar nessa criatura tão aguardada. O rapaz dos meus sonhos, o homem puro e casto que me esperou durante esse tempo com a mesma clareza que eu, mas o tempo escorreu tão rápido que meu devaneio acabou e eu continuei sozinha. Não fazia o menor sentido, até mesmo aquela moça insossa da novela havia encontrado um par e eu continuava esperando...esperando. Esperei por duas décadas e ninguém apareceu. Depois de ínfimas decepções e poemas desoladores comecei a refletir acerca de minhas pretenções e propósitos. Percebi como romantizei tudo, e como transformei algo tão complexo em um pequeno sentimento trivial e circunstancial. Afinal de contas o que é amar verdadeiramente alguém? Refletindo sobre essa pergunta me vem à mente a figura distorcida do parceiro idealizado. O outro que supostamente arcaria em me fazer feliz e me paparicar até que eu me rejubilasse em meu narcisismo particular. Essa criatura tão almejada na verdade seria apenas um degrau para eu alcançar a felicidade plena, um impulso para a vida dos meus sonhos, o par ideal para me ajudar a ser alguém que eu nunca conseguiria ser sozinha. Quanta hipocrisia e egoísmo ver o outro como um acessório para aumentar minha auto estima. Tantos anos lendo o capítulo 13 da primeira epístola de Paulo aos Coríntios não me fizeram ver a essência do amor, o sofrimento, a paciência, a abnegação. Eu que apostei tanto nesse amor que viria até mim como um brinde depois de tantas noites solitárias e cafés amargos. Eu que tanto almejei um alguém para alimentar meu ego, agora tinha que aceitar o terrível fato de que amar é sofrer. Que uma vida a dois é algo quase impossível e problemático. Que amar uma pessoa pode ser algo sufocante e dolorido. Muitos vão dizer: Querida, mas agora você está tão negativa." Agora, me diga se quem resolve amar verdadeiramente não tem que carregar uma cruz pelo caminho e doar-se diariamente para viver ao lado dessa pessoa tão amada? Vejo o sacrifício de Cristo em despir-se de sua glória e viver entre seres tão desprezíveis por amor destes, e passar seus anos ensinando o amor para pessoas que esqueceram qual é a essência de Deus. Olhando para Jesus eu vejo alguém que viveu o amor em sua profundidade, alguém que derramou lágrimas de sangue e mesmo assim não desistiu de me perdoar. Que vergonha sinto quando analiso a minha percepção de amor. Seria terrível estar daqui a alguns anos em um lar conturbado frustrada por ter casado com um alguém que não suprio minhas expectativas. Mas seria isso que poderia acontecer, pois minha compreenção acerca de convivência se resumiria nos finais de novela, em que tudo parece perfeito depois de longos meses de batalha para o casal principal ficar junto. Bem, o que acredito ser amor no presnete instante mudará em breve, espero que se torne a cada dia algo mais próximo do que seja realmente a essencialidade do amor. Mas por enquanto vou montando esse quebra cabeças, e com a ajuda do Amor(Deus), me aprofundando em nosso relacionamento e tentando quebrar meus tabus e preconceitos talvez encontrarei a sutil ponta do icebergue. Pena saber que abaixo da superfície está escondido a parte maior que corresponde a totalidade do bloco de gelo. Mas me basta, amar é estar perto do incerto, do desconhecido, do indecifrável. Agora não espero o homem encantado de porte fenomenal e hálito de estrelas. Está mais para alguém que não sei a cor da pele, não faço a mernor ideia do gosto musical e muito menos se conhece alguns passos de folk. Todavia, posso dizer que se eu esteja realmente disposta a viver com alguém terei que aprender a amar. Confesso que sou falha nesse ponto, pois amor não é sentimento é ação. Amor é algo enorme que exige de nós tudo o que temos, , ele não soluciona a maior parte dos problemas mas nos expõe a mil riscos que nem sonhávamos em ter. Sim, amar é correr riscos. É estar à deriva em um mar de tormenta, lembra da música do Djavan? "Amar é um deserto e seus temores." Amar é não saber o que o outro vai fazer daqui a pouco e mesmo assim se colocar disposto a ganhar tudo ou a não levar nada. O amor se expressa em ações cotidianas regadas de sacrifício e dor. Amar é chorar litros de sangue e depois enxugar o chão inconsolável. É dar tudo por um alguém que não lhe oferece um lenço para colher as lágrimas do rosto. E falo isso não o limitando ao amor eros. Falo de amor, amor mesmo. Entre mãe e filho, entre irmãos, entre amigos, entre marido e mulher, entre qualquer pessoa que resolva dedicar a alguém uma parte do seu dia, uma parte do seu dinheiro, uma parte do seu tempo. Hoje não imagino um casamento perfeito, mas sim um lar em que ambos se amam e buscam juntos compreender o amor do Pai, para que possam tocar ou mesmo sentir a grandeza e profundidade daquele que nos ama apesar da nossa imperfeição. Amar não é buscar no outro perfeição, mas sim ajudá-lo a crescer e alcançar a alegria plena. Amar não é esperar que o outro lhe sirva, mas é servir. É limpar os pés calejados de alguém que passou o dia fora festajando longe de você, e mesmo assim você o aceita. Será que estamos prontos para viver esse amor? Ou estamos iludidos demais no amor romântico que está mais preocupado em encontrar alguém que o idolatre que doar-se sem reservas para uma pessoa comum como ele mesmo? Seria hipocrisia dizer que vivo esse amor, mas não é exagero dizer que Deus me oferece esse amor incondicional todos diariamente. Mas não posso exigir de alguém uma espécie de desejo constante como se a vida dela girasse em torno de mim. Egocentrismo? talvez, mas no fundo é carência. Desejo de ser paparicado por uma mãe que esqueceu de você depois do nascimento do seu irmão mais novo. Enquanto esperarmos do outro o amor que deve ser doado por nós, nunca estaremos preparados para tal aventura. Aventura essa de quebrar a cara, de cair e se machucar. De chorar e chorar e mesmo assim a dor não parar. De arriscar tudo por um sonho ao lado dessa pessoa, e caso não dê certo abraçá-lo e ir em frente. De se ver refém do desconhecido, do improvável, de não saber se ele vai lembrar de você amanhã, se ele vai ser gentil todos os dias, se eu vou ter paciência quando o amor estiver frio e a única saída for reaquecer o que outrora ardia bravamente. Para chegar ao fim sugiro que reveja seus conceitos e pense se o que você está sentindo não é apenas um lampejo. Se deveras está disposto a suportar o melhor e o pior dessa pessoa, de se ver fora do controle e sem direção em certos instantes. Caso esteja disposto a cair e se levantar depois de tantas pedras no caminho, mas saber que terá alguém para o ajudar a levantar, então boa viagem. Estamos indo bem, mesmo ainda estando na linha de partida. Em breve o mistério será revelado, e o desconhecido se apresentará, nos surpreendendo para nossa alegria, por saber que o que imaginamos não se chega nem ao pés do que Ele nos preparou. No mar de incertezas prefiro que Deus esteja no barco, conduzindo-me. Bem sei em quem tenho crido, e que breve saberei a razão de tudo isso, saberemos então onde nosso veleiro irá repousar.

4 comentários:

Samara Even disse...

Eitaaa. O texto é grande, mas nem foi isso que me deixou meio sem ar. kkk' Ele é tão forte, que nem percebi o tamanho mais. Me identifiquei muito. Amei! Bjin.

Anônimo disse...

Como assim "nenhum comentário"?

Anônimo disse...

Já disse: te conheci menina, te vejo (hoje) mulher! Mulher-menina, pronto! Essa sua luz, que bem sei, é dEle... renova sua mente, restaura sua espera! nEle e por Ele, prosseguimos assim!

Anônimo disse...

Não poderia deixar passar: " Amar é chorar litros de sangue e depois enxugar o chão inconsolável.", barbárie! hahahahahaha