31 de mai de 2013

Rodopios.

Sentada na varanda observo as estrelas e leio um robusto livro. Alguns pensamentos atrevidos permeiam meu imaginário, e eu interrogo cada consoante que vagueia serena em meu devaneio noturno. Quantas estrelas cabem no universo? E na palma da mão ? Consigo tocá-las com o dedo indicador, pelo menos escondo seu brilho e depois elas reaparecem como num passe de mágica. Quantos corações cabem em apenas um ser? Mal consigo carregar o meu, e sinto que devia abraçar vários. Mas abraçar não é carregar no colo, abraçar é apenas um momento de completa ternura, segurar nos braços é trazer consigo uma alma e um coração que carece de cuidados. Será que posso oferecer isso a alguém? Por enquanto, espero apenas alguém que me abrace forte, mesmo que seja por alguns instantes. Que esses sejam intensos. Mas não consigo encontrar alguém que me cubra de beijos, segure minha mão e me carregue no colo quando eu cair no sono. Quem está disposto a caminhar devagar para acompanhar os passos lerdos de alguém que se cansou no meio do caminho e não consegue seguir sozinho? Haverá uma alma vivente que espere eu me recompor e me ofereça um pouco de água? E olho novamente para as luzes incandescentes desse longo espaço que se espane diante de mim. Cada noite ensina a outra o segredo das estrelas, bem que eu poderia saber como brilhar todos os dias, mas acontece que eu vivo me apagando. Uma divergência. Claro e escuro. Alegria e tristeza. Sorriso e pranto. Tão dicotômica e contraditória como qualquer coisa dessa vida. Hei de descobrir o segredo. O vento frio arrepia minha pele e sinto que a manhã se aproxima, estou quase lá, digo em voz miúda. Quase vejo a mudança. Toco o infinito com esses dedos efêmeros. Sinto o sopro gelado da madrugada que passa quieto, em um silêncio comedido. A vida rodando diante desses olhos negros, rodopiando como um pião. Não há beleza nesse desabafo. Apenas uma dor chorada através das palavras. Silêncio.

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