18 de fev de 2013

Desculpa Moço - Capítulo 4.

Moça,

Escrevo esta carta com o mesmo sentimento que te motivou a deixar em minha casa as palavras que partiram meu coração em pedaços. Demorou um certo tempo para refazer o que restou de mim e juntar forças para escrever uma carta que traga você de volta para o seu lar. Você sabe perfeitamente que minha timidez sempre me conteve e por essa razão silenciei quando devia declarar a todos que eu estava profundamente apaixonado por você. Talvez isso seja inaceitável para alguém que não possui o terrível receio de errar. Mas como um bom homem poupo muitas das minhas palavras para não causar enfado em quem me escuta, entre falar e calar escolho sempre ficar seguro na margem, que ficar à deriva em mar aberto. Bem sabes da minha postura fria em tempos de maresia. Conheces mais que qualquer um esse meu desajustado modo de dizer eu te amo mais que meus discos raros da estante da sala. E se eu pudesse mudar o que passou iria com certeza tentar agir de modo incomum com você. Desculpe essa asperidade, que até numa carta transparece toda a aridez da minha personalidade. Sempre me achei insuficiente para sua auto suficiência. E não ficarei surpreso caso escolha ficar aí e ganhar o mundo com a sua inteligência. Mas não quero transparecer minha austeridade, que fique aqui apenas o homem por quem você se apaixonou. E se quiser saber foi graças a você que descobri algo em mim além das fragilidades e rigidez. Sua voz doce sempre me causou danos gigantescos, ela era como um bálsamo a acalmar meu coração duro. Seus olhos verdes sempre me custaram noites em claro, ou mesmo sonhos bonitos em que suas pupilas mais pareciam árvores em movimento, me enchia de paz pensar na beleza dos seus olhos. E agora só me restou a fisionomia do seu rosto. Nunca mais a vi, e por isso tenho sonhado pouco, na verdade quase nunca sonho. A vida ficou chata sem você. Nem vou tomar banho de rio aos sábados porque ficou vazio aquela imensidão verde sem o seu sorriso. Também não colho lírios no campo porque perdeu o sentido pegar flores e não ter companhia para ver o espetáculo do pôr do sol no final do dia. Até o café ficou amargo, e os livros são minha companhia no cair da noite. Meu amor eu só quero que você volte para mim e me deixe sentir de novo a felicidade de estar aqui nessa terra. Sentir o seu cheiro de maracujá e abraçar-te até que me falte forças, mas sei que só de você estar comigo me sentirei completo. Desculpe meu amor por não saber amar-te como você me ama. Mas volta, e me ensina a ser o homem que completa você?

                                                           Amorosamente,
                                                                           moço.

5 comentários:

Karine Maciel disse...

Meeeu Deus!
Como eu aguardei esse texto. E não deixou em nada a desejar,pelo contrário. Fez com que eu tivesse mais vontade de saber sobre esse casal. Admiro demais essa moça tão sensível e esse moço escancarou seu coração através dessa carta. Desejando demais que eles fiquem juntos. Fico imaginado quão lindos sejam. Não fisicamente,mas a beleza que será a união desses corações.
Ai,ai,ai,que lindo!
Aguardando os próximos... Essa história vai render demais :D

Parabéns,Tammy!

Sentimentos Incontrolados disse...

Sério? Você também ficou plantada quando o garoto foi pra balada?
Adorei seu blog e a sua escrita :)
Também segui. Beijinhos*

Pedacinhos de mim disse...

As palavras que você escreve fazem sempre magia em mim. Sabe bem depois de um dia agitado, sentar e ler palavras que nos façam esquecer o mundo lá fora.
Gostei mesmo muito.
Quanto à fotografia a minha de perfil é mesmo minha, sou eu :)

Um beijo

Sentimentos Incontrolados disse...

Pois é, né. A gente se apega demais e depois se ferra :s
E não tens nada que agradecer Tammy. Lindo nome :)

Agostinho Barros disse...

Eu sorriu com a cara toda . As minhas orelhas são gigantes xD. Adorei o post :)