15 de fev de 2013

Chuvinha

Um papel esbranquiçado sob a mesa. Dentro da cor branca um vazio. Um bocado de lágrimas no solo e um oceano de silêncio no ar escasso. Nesta solicitude comedida encontrei um caminho mais suave para trilhar. Algumas cartas esquecidas debaixo do móvel colonial e uma caneta azul submarino vazia de originalidade. Choveu e o vento arrastou cada lembrança pendurada no varal. Até os pregos que seguravam meu orgulho oxidaram e perderam a bravura. A casa de madeira resistiu ao temporal. Meus pés como de uma idosa congelaram com a friagem. Os beiços coloridos de violeta e o cabelo negro encharcado de chuva. O vento carregou todos os bilhetes e espalhou cada verso pela casa. As palavras flutuando no ar e libertando a poesia pela janela da sala. Corri para pegar o que restou de sentimento, mas até mesmo os avisos de mal tempo saíram feito pássaros no horizonte, e dispersos encontraram um lar pelas campinas à fora, restando a mim apenas sorrir enquanto cada detalhe se libertava.




2 comentários:

Agostinho Barros disse...

tens razão , em cada simples palavras que disseste. O português aproxima-se muito do brasileiro **. E o video é perfeitooo ! :D

Luzia Medeiros disse...

Hum, uma chuvinha, um toque de poesia, e essas palavras que acalmam o coração. Perfeito!

Beijos.