27 de dez de 2012

Maresia

Meus pés corriam para o mar tentando esquecê-lo. Toda a arquitetura marinha me deixava fascinada. Conseguia tirá-lo de minha mente por alguns instantes enquanto as ondas me inundavam completamente. Ali, embargada no silêncio do oceano eu respirava um ar mais puro. Meus olhos negros se condensavam ao azul contagiante da baía. Os pensamentos aliviados corriam soltos na praia solitária. Eu estava sozinha, longe dos ruídos urbanos e perto da infinitude oceânica. Mil léguas me separavam do seu cheiro de terra firme. Flutuando nas águas cálidas do pacífico. Sinto todas as lembranças afundando, descendo cada vez mais para o fundo azul funesto. Vejo uma vida além da superfície. Em que não existem limites para a existência. Cada vez que mergulho recordo menos dos seus olhos me aquecendo. Agora só vejo a vivacidade do azul refletindo a tonalidade prateada da lua nas ondas calmas que me enrolam com um manto lunar. Estou nadando como a baleia mais solitária do mundo. Meu canto está em uma frequência inatingível, 52 Hz acima da sua vocalização. Será que consegue me encontrar? Seu sonar está fraco e eu, eu sou uma baleia solitária que canta. Deixe-me seguir meu caminho enquanto a bruma desaparece na costa. Mergulhando como um cachalote nas profundezas, deixando as recordações soltas na incomensurável vastidão do mar.

Um comentário:

Nanda Torres disse...

Nossa que texto lindo flor *-*
Ah, aguarde que teremos muitos outros videos haha
beijo beijo

http://lladodedentro.blogspot.com.br/