2 de jun de 2012

só.

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Diante de todos os significados mais honestos e desprovidos de mentira,o que insiste em existir pulsando em mim,é a sua face escondida em cada olhar desconhecido.No brilho diurno de uma face que nunca delineei,mas que me parece tão igual ao teu ensolarado olhar que me prende,me cativa.E fico perdida,desorientada,longe de mim.Parece que busco seu rosto inconscientemente.Sem perceber me pego olhando para alguém com igual modo de sorrir,de falar,de olhar.Teus olhos,os mais verdes e astutos olhos.Me desvelam e me entristecem quando reflito que eles jamais serão meus,apenas olhares difusos a me assombrar.As vezes caminho perdida,e penso como seria andar ao seu lado protegidos pelo mesmo guarda chuva.E a única sonoridade audível são os pingos de uma goteira embaçando meus óculos.Os gatos brigando no beco por restos de comida,e meu coração cheio de tinta fresca,sempre buscando pintar o breu de azul,mas sem encontrar um pincel certo para tal desventura.O frio sempre congela o coração antes mesmo de sentirmos o gelo petrificar os sentidos.Seu cheiro ficou na última cidade que visitei,restou apenas uma vaga lembrança de um sonho recalcado.Aquele odor adocicado de mentiras.Aquela voz amarga me embriagando na luz noturna.Teu cálido peito esperando um abraço,e meu braços encarcerados em outro enfado.Uma luz moribunda acordando meu olho esquerdo.E desperto para mais um devaneio indolente.

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