26 de abr de 2013

Invernosa.


O inverno passou e as flores murcharam em seu peito. Naquela manhã o céu estava desanuviado e silenciosamente triste. Seus olhos assemelhavam-se a rudes montanhas gélidas. Os cílios levemente congelados piscavam sem expressão. Tudo ao redor era colorido e ao mesmo tempo acinzentado. A  campina esverdeada recebia a luz quase envelhecida do sol que esquentava levemente o rosto da mulher de azul. Talvez seu vestido fosse branco, mas a neblina embaçou a atmosfera e ela se tornou orvalho. Não havia ali uma face gentil de moça crescida, mas sim um rosto calado, firme e estático no modo de observar a cinza das horas. Se fez bruma e perdeu-se na planície. Os pés pequenos corriam ligeiros pela grama verde mel e de repente sumiu como um sopro. Aquela foi a última vez que ela colheu flores. Naquele imenso jardim natural suas mãos ignoraram a sutileza das flores, decidiram percorrer em outros platôs toda a sua jovialidade. E então veio o inverno.

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