17 de jun de 2012

Enfado.


Ainda é cedo para repousar os cílios na cinzenta margem do rio sombrio.Aqui dentro restam suspiros esperançosos de uma alma que deseja dividir sorrisos.Além da solidão que me exaure,cambaleio entre as palavras para aliviar a dor das partidas.Desses olhos que me incendeiam em curtos momentos,e se apagam quando mais necessito de amparo.Enquanto o coração beligerante pulsa,me sobram algumas taças vazias e trasbordantes de culpa.As mesas sobrepostas esperando o próximo convidado que não pagará a conta,e ainda deixará os restos para eu limpar.Migalhas,até as pobres almas cansam de só receber migalhas.Sorrisos incompletos e esqueléticos,a definhar na mais angustiante espera.E a noite se instaura,tornando o breu em terno silêncio perpétuo.Das clausuras que supero,nada me restou de muito para cantar.Apenas um olhar vago a corromper o vento,um sussurro escondido,uma doce música a ecoar no vácuo.E mesmo com tantas poças a afundar-me nesse delírio,continuo a acreditar nos romances primaveris que brevemente se afloram no inverno.Nas fotografias encantadas que nos passam uma utopia almejada.As rosas desistiram de cantar o amor inexistente de tantos corações que as cortaram.Desfalecidas ao relento se martirizam ao ver o pós romance que se aglutina em pranto.E ainda esse ser clama por um outro para completar-se.Coração cinza,que deseja as cores para ser aceito por um mundo incolor.Lágrimas pálidas nunca significaram a tua verdade.Apenas o teu silêncio demonstrou alguma apatia,o resto,foi apenas sobra.E ainda queres torrar os neurônios a custa de outro ser esvaecido em cinzas?Tão supérfluo quanto os teus dedos sujos de tinta fresca?tão corrompidos quanto as tuas palavras desafenadas?Apesar de tudo ainda coleciona flores nunca declaradas e cartas nunca narradas?Pobre ser desalmado.Aceitas tão facilmente a dor mas não consegues repudiar os calos?Continuas então nesta tua busca austera.Verás o que te espera na derradeira hora da tua partida.E fique calado,pois uma tempestade ameaça levar os reles sentimentos que ainda te restam.Poupe-os de mais um vendaval,demore mais um pouco para ao menos ter a chance de receber flores na próxima desilusão.

Um comentário:

Anônimo disse...

O QUE E REALMENTE UM BOM POEMA? AQUELE QUE CHEGA NA HORA EXATA, COM AS PALAVRAS QUE TE TOCAM A ALMA. OBRIGA BELA TAMMY