23 de mar de 2012

Cuide-se.

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A moça estava circunspecta.Perdidamente desencontrada em seus devaneios.
Tentando encontrar uma saída para esquecer o que não devia lembrar,e pensar mais em coisas bonitas.
As lágrimas escorriam para os lábios,eram salgadas como um mar tempestuoso em dias cinzentos.Estava cansada de esperar o telefone tocar e sempre desejar o que não lhe cabia ter.Rabiscou algumas letras de um alfabeto esquecido,aquele conjunto de palavras que escrevemos em dias felizes.Era difícil assumir que havia se envolvido em demasia e nada mudaria a solidão daquela noite,daqueles instantes singulares.Uma música sonolenta corrompendo o silencio do quarto.Seus pensamentos peregrinavam além da penumbra,seu peito sangrava sem sangue,seus olhos choravam arquipélagos.Sozinha,almejando qualquer coisa menos aquele barulho de desilusão.E nada rompia esse desconforto,tudo era tão chuvoso e úmido.Mais uma vez ao relento a recordar o que não viveu,mas sonhou.Foi apenas um sonho,desses que despertamos com vontade de adormecer para retornar a fantasia.Pelo menos ali ela estava vivendo.Ali,naquela noite sutil que não findava seu sono era onde ela deveria estar.Mesmo despedaçada e melancólica era ali seu lugar,seu momento.Ela estava vivendo.Cada centímetro de solidão,cada grama de lágrima,cada quilômetro de frustração.Tanto quis ser amada,que acabou odiando-se.Odiando essa maneira de buscar nas pessoas o que deveria partir dela.Precisava cuidar de si,amar-se e aprender a gostar de cada defeito de cada território que compõe seu íntimo.Ninguém poderia explicar aquele drama,apenas Deus a compreendia e a ensinava a solucionar todo aquele mistério escondido na noite.Amor próprio,um pouco de auto estima para chamar os sorrisos,as gargalhadas sem explicação,o sentido de se sentir bem em qualquer lugar.A moça gostou.Sorriu discretamente e deitou o rosto na cama enquanto abraçava a si mesma.Resolveu seguir o conselho de um certo alguém e se cuidar.Para amar os outros tem que se amar!

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